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segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Giordano Bruno, a sua Obra e a sua Sentença

Estátua de Giordano Bruno, Campo di Fiori, Roma.


  Giordano Bruno, o filósofo que foi condenado à fogueira pela Inquisição e que morreu, em agonia, a 17 de Fevereiro de 1600, afirmou o seguinte perante os seus alcozes: "Maiori forsan cum timore sententiam in me furtis quam ego accipium" (Será maior o vosso temor em pronunciar esta sentença que o meu em aceitá-la). A acusação de Bruno sustentava-se em oito acusações de heresia: crença que a transubstanciação do pão em carne e do vinho em sangue era falsa; crença que o nascimento virginal era impossível; sustentar opiniões contrárias à fé católica e contestar os seus ministros; sustentar opiniões contrárias à fé católica sobre a Trindade, a divindade de Cristo e a encarnação; sustentar opiniões contrárias à fé católica sobre Jesus como Cristo; convicção que vivemos num universo infinito e que existem inúmeros mundos, nos quais criaturas como nós podem viver e venerar os seus próprios deuses; acreditar na metempsicose e na transmigração da alma humana para seres inferiores; e o envolvimento em magia e adivinhação. Não se pode dizer que as acusações tinham a mentira na sua génese, no entanto, a liberdade que Giordano Bruno atribuía à sua capacidade de inquirir e de indagar era a mesma liberdade que fluía nas suas teses, logo o seu pensamento não podia percorrer outra via que não fosse aquele de quem era inimigo do paradigma vigente. A oposição ao comum tem sempre um preço a pagar. Giordano Bruno, antes de morrer na fogueira, esteve preso de 23 de Maio de 1592 até 17 de Fevereiro de 1600, quase oito anos. Se o Renascimento começou com Nicolau de Cusa, terminou com Giordano Bruno. A sua filosofia dinâmica pode não ser genial, mas representa uma transformação no pensamento que se desenvolverá até ao Iluminismo e nalguns aspectos foi radicalmente inovadora. A sua concepção de um universo infinito e o seu esboço de uma teoria da relatividade, bem como a sua independência face à filosofia natural de Aristóteles, deixaram marcas que influenciaram os tempos que a ele se seguiram. O Nolano tornou-se um exemplo das consequências da intolerância e do quanto a liberdade de expressão é uma necessidade. A condenação de Giordano Bruno é hoje uma imagem do perigo das ruínas do pensamento, quando a fé se torna num incêndio que consome a humanidade. É também que salientar que um dos seus algozes, o mesmo que também esteve no julgamento de Galileu, Roberto Belarmino, tornou-se santo em 1930, pela mão de Pio XI. Quando a liberdade é ferida, Bruno é a memória do que deve ser um ponto de não retorno. A autoridade não pode nunca minar a liberdade de pensar e a liberdade de expressão.   

Obra em Italiano:
  • Candelaio, 1582;
  • La cena de le ceneri, 1584;
  • De la causa, principio e uno, 1584;
  • De l'infinito, universo e mondi, 1584;
  • Spacio de la bestia trionfante, 1584;
  • Cabala del cavallo Pegaseo con l'aggiunta dell'Asino Cillenico, 1585;
  • De gli eroici furori, 1585.                                                                                            
Obra em Latim:
  • De umbris idearum, 1582;
  • Cantus Circaeus ad memoriae praxim ordinatus, 1582;
  • De compendiosa architectura et complemento artis Lullii, 1582;
  • Explicatio triginta sigillorum et Sigilli sigillorum, 1583;
  • Figuratio aristotelici physci auditus, 1586;
  • Dialogi duo de Fabricii Mordentis Salernitani prope divina adinventione, 1586;
  • Dialogi. Idiota triumphans. De somnii interpretatione. Mordentius. De Mordentii circino, 1586;
  • Centum et viginti articuli de natura et mundo adversus Peripateticos, 1586;
  • De lampade combinatoria lulliana, 1587;
  • De progressu et lampade venatoria logicorum, 1587;
  • Oratio valedictoria, 1588;
  • Camoeracensis Acrotismus seu rationes articulorum physicorum adversus Peripateticos, 1588;
  • De specierum scrutinio et lampade combinatoria Raymundi Lullii, 1588;
  • Articuli centum et sexaginta adversus huius tempestatis mathematicos atque philosophos, 1588;
  • Oratio consolatoria, 1589;
  • De triplici minimo et mensura, 1591;
  • De monade, numero et figura, 1591;
  • De innumerabilibus, immenso et infigurabili, 1591;
  • De imaginum, signorum et idearum compositione, 1591;
  • Summa terminorum metaphysicorum, 1609;
  • Artificium perorandi, 1612;
  • Animadversiones circa lampadem lullianam, 1586;
  • Lampas triginta statuaram, 1591;
  • Libri physicorum Aristotelis explanati, 1588;
  • De magia, 1589-1590;
  • Theses de magia, 1591;
  • De magia mathematica,1589-1590;
  • De rerum principiis, elementis et causis, 1589-1590;
  • Medicina lulliana, 1589-1590;
  • De vinculis in genere, 1591;
  • Praelectiones geometricae, 1591;
  • Ars deformationum, 1591.
Obra Completa de Giordano Bruno: http://bibliotecaideale.filosofia.sns.it/index.php

Obras Traduzidas para Português:
  • Acerca do Infinito, do Universo e dos Mundos, 6ª Edição, 2011. Introdução de  Victor Matos e Sá e tradução, notas e bibliografia de Aura Montenegro. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.
  • Tratado de Magia, 2007. Introdução, tradução e notas de Rui Tavares. Lisboa: Tinta da China.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Por Amor de Deus, Citem, mas Citem Bem

Berruguete, Pedro, Platão, c.1477. Paris: Museu do Louvre.


  A citação em si não tem nada de mal. É até recomendada, pois revela a capacidade de nos relacionarmos intelectualmente. Quando cito  Dante, por exemplo, assimilo o texto, torno-o meu, sem o ser, mas não deixo de ser honesto e faço a devida ressalva e referência. As aspas sem referência não servem a citação, nem o autor sem a obra específica. A citação é uma responsabilidade intelectual, caso contrário é plágio. Vasculhar a Internet e fazer nosso o que é do outro é uma forma de pulhice textual, mesmo se o autor estiver em Vladivostok ou na Patagónia. 
  
  Atribui-se ao texto um carácter mais despersonalizado, como se fosse a hetaira da arte, que qualquer um pode agarrar e levar consigo. Se, por exemplo, um certo Manel das Couves (nome fictício) chegasse ao Louvre, roubasse a Mona Lisa, depois a levasse para o anexo da sua casa em Portugal e nela gravasse as iniciais MC e, por baixo, aka Manel das Couves, todos diriam que o homem estoirou com a panela de pressão. No entanto, se alguém, entre comes e bebes, enquanto vêem entusiasmados um jogo de futebol, ler, como se dizesse algo seu, um excerto de um poema de Herberto Helder ou de um texto de Assis Pacheco, muitos acreditariam nas proezas, bem regadas, da criatividade humana. Ou ainda alguém que, sentado na sua cadeira de rodinhas, com o teclado nas mãos, solta postas de pescada aforísticas, que afinal pertencem a outro ou que provêem de uma tômbola de citações digitais, mas que não deixa de receber muitas carinhas sorridentes pela sua sabedoria.

  A citação sem a designação bibliográfica pode ter duas origens: a ignorância explícita, que não deixa de ser reprovada, pois até na escolinha se aprende que não se devem apresentar trabalhos que se copiam de livros ou de textos da Internet; e a soberba do ego, aquela que pensa que é tudo seu e que não deve nada a ninguém, pois a sua magnificência permite-se a não necessitar do conhecimento dos outros. E há também a preguiça, mas essa é uma forma de ignorância.

  Ficam então algumas hipóteses de como citar - com texto entre aspas ou a itálico:

1 - Hipóteses Simples:

AUTOR, OBRA.
AUTOR, OBRA, PÁGINA.

2 - Hipóteses Completas:

AUTOR, OBRA, PÁGINA. LOCAL: EDITORA, ANO.
AUTOR, OBRA, TRADUÇÃO, PÁGINA. LOCAL: EDITORA, EDIÇÃO, ANO.
AUTOR (ANO), OBRA, EDIÇÃO, TRADUÇÃO, LOCAL, EDITORA, PÁGINA.

E nos textos online basta transcrever o link, como por exemplo:
http://orestopermanecehumano.blogspot.pt/2016/05/por-amor-de-deus-citem-mas-citem-bem.html

  É simples e não dói.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Llansoliana: Bibliografia V - Traduções

Traduções
  • Flaubert, Gustave, O Sol Minguante. Tradução com o pseudónimo Ana Fontes. Colares: Colares Editora, 1991.
  • Wilde, Oscar, O Príncipe Feliz. Tradução com o pseudónimo Ana Fontes. Colares: Colares Editora, 1991.
  • Colette, Saha, a Gata. Tradução com o pseudónimo Ana Fontes. Colares: Colares Editora, 1994.
  • Hölderlin, Friedrich, Diotima. Tradução com o pseudónimo Maria Clara Salgueiro. Colares: Colares Editora, 1994.
  • Sade, Donatien Alphonse François de, Mistérios Libertinos da Bastilha. Tradução com o pseudónimo Ana Fontes. Colares: Colares Editora, 1994.
  • Woolf, Virginia, Cartas Íntimas a Vita Sackville-West. Tradução com o pseudónimo Ana Fontes. Colares: Colares Editora, 1994.
  • Dickinson, Emily, Bilhetinhos com Poemas. Tradução com o pseudónimo Ana Fontes. Colares: Colares Editora, 1990.
  • Verlaine, Paul, Sageza. Lisboa: Relógio D'Água, 1995.
  • Rilke, R.M., Frutos e Apontamentos. Lisboa: Relógio D'Água, 1995.
  • Rimbaud, O Rapaz Raro - Iluminações e Poemas. Lisboa: Relógio D'Água, 1998.
  • Thérèse Martin de Lisieux, O Alto Voo da Cotovia. Lisboa: Relógio D'Água, 1998.
  • Apollinaire, Guillaume, Mais Novembro do que Setembro. Lisboa: Relógio D'Água, 2001.
  • Éluard, Paul, Últimos Poemas de Amor. Lisboa: Relógio D'Água, 2002.
  • Baudelaire, Charles, As Flores do Mal. Lisboa: Relógio D'Água, 2003.
  • Loüys, Pierre, O Sexo de Ler Bilitis. Lisboa: Relógio D'Água, 2010.



Llansoliana: Bibliografia IV - Diários e Obra Póstuma

Diários

  • Um Falcão no Punho - Diário 1. Lisboa: Rolim, 1ª Edição, 1985. Lisboa: Relógio D'Água, 1998.
  • Finita - Diário 2. Lisboa: Rolim, 1ª Edição, 1987. Lisboa: Assírio & Alvim, 2ª Edição, 2005.
  • Inquérito às Quatro Confidências - Diário 3. Lisboa: Relógio D'Água, 1ª Edição, 1996.


 Obra Póstuma
  • Uma Data em Cada Mão - Livro de Horas I. Lisboa: Assírio & Alvim, 1ª Edição, 2009.
  • Um Arco Singular - Livro de Horas II. Lisboa: Assírio & Alvim, 1ª Edição, 2010.
  • Numerosas Linhas - Livro de Horas III. Lisboa: Assírio & Alvim, 1ª Edição, 2013.


Llansoliana: Bibliografia III - Livros 1998-2007

  • Ardente Texto Joshua. Lisboa: Relógio D'Água, 1ª Edição, 1998.
  • Onde Vais, Drama-Poesia?. Lisboa: Relógio D'Água, 1ª Edição, 2000.
  • Cantileno (Inclui também Hölder, Hölderlin, Amar Um Cão e O Estorvo). Lisboa: Relógio D'Água, 1ª Edição, 2000.
  • Parasceve - Puzzles e Ironias. Lisboa: Relógio D'Água, 1ª Edição, 2001.
  • O Senhor de Herbais - Breves Ensaios Literários sobre a Reprodução Estética do Mundo, e suas Tentações. Lisboa: Relógio D'Água, 1ª Edição, 2002.
  • O Começo de Um Livro É Precioso. Lisboa: Assírio & Alvim, 1ª Edição, 2003.
  • O Jogo da Liberdade da Alma. Lisboa: Relógio D'Água, 1ª Edição, 2003
  • Amigo e Amiga - Curso de Silêncio de 2004. Lisboa: Assírio & Alvim, 1ª Edição, 2006
  • Os Cantores de Leitura. Lisboa: Assírio & Alvim, 1ª Edição, 2007.





segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Llansoliana: Bibliografia II - Livros 1962-1994


Llansoliana: Bibliografia I - Trilogias

Trilogia - Geografia de Rebeldes
  • O Livro das Comunidades. Porto: Afrontamento, 1ª Edição, 1977. O Livro das Comunidades, seguido de Apontamentos sobre a Escola da Rua de Namur. Lisboa: Relógio D'Água, 1999.
  • A Restante Vida. Porto: Afrontamento, 1ª Edição, 1983. A Restante, seguido de O Pensamento de Algumas Imagens. Lisboa: Relógio D'Água, 2001.
  • Na Casa de Julho e Agosto. Porto, Afrontamento, 1ª Edição, 1984. Na Casa de Julho e Agosto, seguido de O Espaço Edénico. Lisboa: Relógio D'Água, 2003.



Trilogia - O Literal do Mundo

  • Causa Amante. Lisboa: Regra do Jogo, 1ª Edição, 1984. Lisboa: Relógio D'Água, 2ª Edição, 2004.
  • Contos do Mal Errante. Lisboa: Rolim, 1ª Edição, 1986. Lisboa: Assírio & Alvim, 2ª Edição, 2004.
  • Da Sebe ao Ser. Lisboa: Rolim, 1ª Edição, 1988.