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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Os Anjos entre o Bem e o Mal: Um Fragmento

The Good and Evil Angels, Object 1 (Butlin 323), Tate Collection.

Fragmento: Segue o anjo a necessidade do mal e segura o anjo a finalidade do bem. São como uma ponte que une uma vontade indeterminada. 

sábado, 5 de outubro de 2013

Da Ignorância - II

De facto, como se concluiu anteriormente, a Ignorância é o pior dos males, quer seja pela imposição de uma estado - ignorância passiva -, quer seja por uma vontade deliberada - ignorância activa. A rejeição de uma demanda da sabedoria e de um fomento das condições necessárias para o conhecimento representam sempre um verdadeiro "mal-estar da civilização".

Podemos dizer, num estilo metafórico, que da Ignorância nasceram dois filhos, dois gémeos inseparáveis, a Ilusão e o Engano. Da Ilusão, podemos distinguir também dois tipos: a que provém do exterior e a que nasce no interior. A primeira conduz a um estado de alienação, de indiferenciação com o mundo que nos rodeia. Esta revela-se como uma manipulação, consciente ou inconsciente, da realidade. A segunda gera um estado auto-induzido de esquizofrenia antropológica. O humano perde a consciência de si e rompe o laço da sua verdadeira natureza. Em síntese, o ser anula-se a si mesmo. 

O Engano devemos, em primeira análise, distingui-lo do pecado, uma vez que o seu sentido tem uma maior afinidade com a noção grega de amartía que, na etimologia arcaica, indica o acto de falhar o alvo. A flecha erra o seu destino, a sua finalidade. Porém, o Engano não anula a possibilidade, a redenção. Devemos, portante, inseri-lo numa perspectiva didáctica, a qual só se torna possível se estiver vinculada à Vontade, Vontade esta que está orientada no caminho da Sabedoria. Só assim o Engano poder-se-á libertar das teias da Ignorância e da Ilusão.

A Ignorância, a Ilusão e o Engano representam a trindade do mal que é a oposição e o contraste da verdadeira Trindade. As três manifestações do Uno, do Indeterminado são a Vontade, a Sabedoria e o Amor.   


sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Da Ignorância

A Ignorância é o pior dos males, espalha-se como uma doença e persiste como uma epidemia. No entanto, temos de distinguir entre a ignorância passiva e a ignorância activa. 

A primeira existe porque a um determinado ser humano não foram dadas as condições essenciais para o seu desenvolvimento, para o crescimento da sua esfera de conhecimentos, quer seja por condicionamentos pessoais, ou por vicissitudes externas. A segunda resulta de uma vontade consciente e deliberada de permanecer na ignorância. Esta, infelizmente, é a tipologia que mais se alastra, chegando até a fazer propaganda do seu estágio habilmente cultivado.  

O primeiro tipo de ignorância resolve-se, ou minimiza-se, com uma acesso universal à cultura e ao conhecimento, o que só é possível com uma melhoria das condições económico-sociais. Engana-se quem pensa que é no seio da pobreza que um cidadão pode alcançar todo o seu potencial. Numa sociedade subdesenvolvida, com grandes carências democráticas, a ignorância e o seu fomento são imperativos. 

Já o segundo tipo é muito difícil de extrair de uma sociedade, pois este está entranhado nas vísceras da civilização. Nesta patologia, sim porque é disso que se trata, existe um problema da vontade, uma doença do espírito e uma atrofia do ser. Esta enfermidade humana apela para mediocridade e assenta numa total e radical anulação da potencialidade humana. A ignorância activa faz-nos repensar o humano e duvidar da nossa real natureza. 

Porém, sem a sabedoria como fim, nem animais conseguimos ser.